segunda-feira, outubro 31, 2005

Os interesses são outros...

Já aqui escrevi acerca deste assunto das fábricas de celulose, mas entretanto o tema escalou e certas "máscaras" caíram.

Existe um projecto de investimento no Uruguai, para instalação de pelo menos duas fábricas de produção de pasta de papel em Fray Bentos, aproveitando os recursos hidricos do país.

Os argentinos da provincia vizinha de Entre-Ríos, desagradados pelo facto de terem perdido tamanho investimento, tudo fazem para impedir ou pelo menos colocar em perigo o projecto, no tipico estilo argentino que levaria a uma discussão demasiado longa...

Naturalmente estão também em campo várias associações de defesa do ambiente, que como em todo o lado são "manipuladas" pelo poder politico e privado e se constituem em mais uma arma de pressão, arriscando dessa forma e devido a atitudes mais radicais o capital de confiança e seriedade que deveriam esforçar-se por preservar para ganharem o respeito das pessoas.

O ultimo capitulo desta estoria centrou-se nas declarações do Governador de Entre-Ríos, que afirmou que teriam existido "incentivos" (leia-se subornos) para que a localização escolhido fosse Fray Bentos.

Entretanto o Ministério de Relações Exteriores da Argentina já colocou alguma água na fervura, instando ainda assim as empresas envolvidas a que suspendam os trabalhos até conduzirem todos os estudos de impacto ambiental, no que só posso tomar como uma pressão disfarçada de quem não perdoa a perda de tal investimento.

A mim parece-me claro que as preocupações dos argentinos não se prendem com o tema ambiental, mas apenas e só com o "desvio" da platita dos seus bolsos.

domingo, outubro 16, 2005

A guerra dos Portos!!!


Na "guerra" económica entre os dois portos mais importantes do Rio da Prata, o de Montevideo está, segundo os analistas, a ganhar terreno sobre o de Buenos Aires.

Os preços praticados do outro lado do rio são o dobro, sendo que as condições fisicas do porto de Montevideo sempre foram melhores.

Como consequência disso, só no ultimo ano 30% das cargas derivaram do porto argentino para o uruguaio, o que em si é mais um alento para a economia charrua em recuperação.

quinta-feira, outubro 13, 2005

Venham os presidiários...!!!


Foi como sempre, a batalhar, mas conseguiu-se. Nem que para isso fosse necessária a intervenção de Fossati como 12º jogador.

No fundo como Mourinho no celebre lance com Castroman contra a Lázio.

Quanto aos "portenos"... olhem, tomem lá!!!

quarta-feira, outubro 12, 2005

Só interessa ganhar!!!


O cenário está pronto. No Centenário vai decidir-se se o Uruguai consegue ir á "repescagem" com a Austrália (tal como no apuramento para o Coreia-Japão). Basta vencer a Argentina.

É mais logo á 1.30 GMT. Vamo'arriba URUGUAI...

domingo, outubro 09, 2005

Nem mau nem bom...


Equador 0 - Uruguai 0

Foi o que se pode arranjar. Pior teria sido se o Chile não tivesse conseguido empatar com os "cafeteros".

Agora é esperar por 4ª feira.

sábado, outubro 08, 2005

Vamo'arriba Uruguai!!!


Na altura de Quito é necessário pontuar.

sexta-feira, outubro 07, 2005

Ás armas, ás armas...

Damos uma saltada a Rocha, distrito mais a leste do Uruguai, fazendo fronteira com o Brasil.

Também aí são visiveis os testemunhos da presença portuguesa no país, traduzidos em instalações militares agora transformadas em monumentos nacionais, englobados em Parques naturais, aproveitando as condições especificas de fauna e flora locais.

São duas as instalações militares em causa, o forte de San Miguel e a fortaleza de Santa Teresa, edificações que, dependendo da visão estratégica, serviam para defesa das linhas de abastecimento portuguesas que se destinavam a Colónia del Sacramento (por lá passaremos um dia destes) ou simplesmente para defesa do território no caso espanhol e depois uruguaio.

Começando pelo forte de San Miguel, de menor envergadura e que fica a não mais que 10 Kms da fronteira com o Brasil, perto da cidade de Chui (tornada famosa nestes dias pela sua enorme colónia árabe).


O forte foi edificado pelos portugueses em 1737, depois de uma tentativa de povoamento daquela zona por parte dos espanhois 3 anos antes. O responsável por essa tarefa foi o Brigadeiro José da Silva Paes, enviado expressamente do Rio Grande do Sul.



A fortificação foi passando pelas convulsões habituais á época, tempo de confronto entre os dois reinos, até que pelo Tratado de Madrid em 1750, a Espanha cede o dominio de toda a área correspondente ao actual distrito de Rocha, ficando em compensação com a praça forte de Colónia del Sacramento.


Em 1761 a Espanha denuncia o referido tratado e na Campanha que se segue acaba por tomar definitivamente o forte, que se rende sem luta. A partir dessa altura o forte perde a sua importância estratégica que não volta a recuperar, nem mesmo nas invasões portuguesas de 1811 e 1816.

A fortaleza de Santa Teresa, a cerca de 35 Kms de Chui, foi mandada erigir pelo Conde da Bobadela, que deu ordens ao Coronel Tomaz Luis Osorio e ao seu regimento de Dragões do Rio Pardo, força de elite do exército português, que se estabelecessem na área, de forma a proteger não apenas a linha de abastecimento portuguesa mas também a entrada para o Rio Grande do Sul.



Assim em 1762 lança-se a primeira pedra e levantam-se as primeiras barreiras do que viria a ser a Fortaleza de Santa Teresa, santa de devoção especial do Conde da Bobadela. No entanto, ao contrário do forte de San Miguel, não foram os portugueses que a construiram mas sim os espanhois, que no seguimento da Campanha já referida e que culminou na tomada de San Miguel, viriam a avançar na construcção definitiva de Santa Teresa, encarregando para tal o engenheiro francês Bartolomé Howel.


Depois de mais alguns confrontos, é através do Tratado de Santo Ildefonso em 1777 que Portugal volta a recuperar o Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Santa Catarina, ficando os espanhois com o territorio que constitui hoje o distrito de Rocha. Mas a estória não termina aqui...



Já no período da Revolução Oriental, os portugueses viriam a conquistar novamente a fortaleza de Santa Teresa em 1811 para a ceder novamente por via diplomática pouco tempo depois. Na Campanha de 1816 os portugueses tomam a fortaleza pela ultima vez, através do comando do Barão Carlos Federico Lecor, mantendo a sua posse até á independência do Brasil, que ainda a manteria até 1828, altura em que foi desactivada.



Ambas as instalações são então votadas ao esquecimento até á decada de 20 do século passado, altura em que são consideradas patrimonio nacional e são recuperadas e requalificadas, sendo hoje dos pontos turisticos de maior interesse do Uruguai.