
A descoberta do Rio de la Plata aconteceu mais de 200 anos antes da povoação do que viria a ser Montevideo.
Coube a honra a Solís (em 1516), explorador espanhol que não viveu muito para disfrutar do facto... na verdade não o disfrutou, porque mal pôs o pé em terra os indios Charrua que se encontravam na praia e se pensava serem pacificos, atacaram o pequeno destacamento de nuestros hermanos matando todos os seus componentes.
Diz-se até que se banquetearam com os marinheiros, presumo que não numa tortilla, talvez num mais prosaico caldeirão, com um acompanhamento de farinha de mandioca.
Claro que existe também quem diga que antes de Solís fazer a descoberta, já os portugueses (em 1514) conheciam aquelas terras, embora sem terem reclamado a sua posse.
A verdade é que aquele lugar só foi povoado a partir de 1724, por ordem directa do governo de Buenos Aires, através de familias enviadas daquela cidade e baixo o comando de Don Mauricio de Zabala, precisamente porque um ano antes já os portugueses teriam tentado essa povoação, acção prontamente neutralizada por Buenos Aires.
Mas permanece a pergunta, porquê o nome Montevideo?

Devido á geografia do lugar. Com efeito, de um dos lados da foz do rio, onde é hoje a entrada do Porto de Montevideo, fica o ponto mais elevado da cidade, 500 metros acima do nivel do mar, o que actualmente é designado como o Cerro de Montevideo.

Nesse local foi construida a fortaleza do Cerro, que hoje é um dos pontos turisticos da cidade, apesar de rodeada pelo bairro com o mesmo nome, que é dos mais degradados (e perigosos) da cidade e onde se encontra a Rua de Portugal.
A fortaleza foi contstruida para proteger o farol existente, que terá sido o primeiro a iluminar o caminho aos navegantes do Rio de la Plata.

Embora sem se ter a certeza absoluta do facto, é voz corrente que teria sido um marinheiro que viajava com Fernão de Magalhães na sua busca pela rota navegável para o Pacifico, que ao passar por aquelas águas, em 1520, terá exclamado "monte vide eu" ao avistar o monte, expressão que ficou para nomear toda aquela zona.
Naturalmente esta expressão levanta muitas dúvidas, uma vez que não se trata nem de português, nem de espanhol, embora não fosse de todo raro que, numa viagem com tripulação mista, composta por portugueses, galegos, espanhois e porventura gente de outros paises, os marinheiros misturassem os idiomas.
Existe também uma corrente que defende a mesma estória, mas afrmando que a expressão utilizada teria sido proferida em latim (montem video), por algum oficial mais educado (o latim não era idioma falado por simples marinheiros) e que estaria de guarda devido ao perigo que representava (e continua) a navegação naquelas águas.
Seja como fôr, este é mais um laço que aproxima a historia do Uruguai com a de Portugal, uma proximidade desconhecida por tantos.