sábado, julho 29, 2006

Carlos Bueno - Opinião

É complicado rotular Carlitos como jogador, tal como sempre tive dificuldade em entender exactamente como classificar João Vieira Pinto.

Ao contrário do que o próprio jogador afirma, ele não é um ponta de lança, embora possua caracteristicas similares a um homem de área, sobretudo na boa colocação e no razoável jogo de cabeça.

Técnicamente, não sendo um virtuoso, sabe dominar bem a bola, sobretudo em corrida e em toques curtos com pouco espaço.

É rápido, especialmente sem bola, e muito móvel, podendo deambular com á vontade por todas as posições de ataque, embora jogue preferencialmente pelo centro.

Em termos de remate é sem dúvida melhor no de curta distância, que efectua mais em força que colocação, mesmo que saiba como finalizar de forma artistica, conseguindo fazê-lo com ambos os pés.

Fisicamente não é muito forte e a compleição também não ajuda, mas tal como JVP é um jogador que aguenta bem as cargas e não vira a cara à luta.


No capítulo psicológico é que as coisas se complicam, uma vez que Carlos Bueno tem um carácter especial, um pouco instável, o que o leva a "desaparecer" bastantes vezes durante o jogo e inclusivé lhe granjeou fama de "tipo medio raro" na sua vida privada.

Até 2004 foi figura máxima no campeonato uruguaio e também na selecção, mas o litigio com o Penarol, que se prolongou por largos meses, e uma má adaptação a Paris, numa transferência que nunca ficou clara e é imagem de marca do seu empresário Paco Casal, o homem que domina o futebol uruguaio juntamente com sócio Enzo Francescoli, colocaram-no num limbo que pode ter complicado o seu desenvolvimento como jogador ao mais alto nível, pelo menos a curto-médio prazo.

Pessoalmente espero que Bueno se dê bem com os ares nacionais e possa lançar a sua carreira na Europa, o que certamente provocará uma maiopr aproximação entre os dois paises, nem que seja motivado pela curiosidade e pelo acompanhamento da carreira deste charrua em Portugal.

domingo, julho 23, 2006

Na Doca de Alcântara

Desta vez não estivemos na recepção do Capitán Miranda, que decorreu na 5ª feira, mas ontem visitámos a doca e apreciámos a beleza dos maiores veleiros do mundo.


Naturalmente o Américo Vespucci, a Sagres e a Vera Cruz foram os que concentraram maiores atenções, no entanto o Miranda foi bastante solicitado e quando por lá passámos estava cheio.


Problemas organizativos à parte, a simples oportunidade de observar a imponência dos veleiros fez esquecer as dificuldades para lá chegar.


E mais uma vez foi sintomático testemunhar que entre todas as tripulações, a uruguaia era a mais bem disposta.

terça-feira, julho 18, 2006

Dia do Uruguai

Celebrando a 1ª Constituição do país, assinada a 18 de Julho de 1830, hoje é o dia do Uruguai, embora a data divida o seu "estatuto" com o 25 de Agosto de 1825, quando o exército chefiado por Juan Antonio Lavalleja, depois do desembarque dos "33" (lá chegarei um dia), proclama a independência unilateral do Uruguai, que só viria a ser confirmada pelo tratado de Montevideo a 27 de Agosto de 1828.

A Constituição foi assinada no Cabildo de Montevideo, de traça colonial e que começou a ser construído em 1804, situado na actual Plaza Matriz e onde funciona desde 1958 o Museu Historico Municipal.

Em homenagem aos patriotas do período 1828-1830 foi construído o Obelisco, monumento com 40 metros de altura, inaugurado a 25 de Agosto de 1938 e situado à entrada do Parque Batlle e da Avenida 18 de Julio, a principal avenida da cidade.

quinta-feira, julho 13, 2006

A Guerra da Celulose

Já aqui referi o tema, que tem afastado ainda mais o Uruguai e a Argentina e criado um clima de tensão inoportuno entre ambos os paises, mas que a meu ver resultará positivamente para o Uruguai.

Hoje o Tribunal Internacional de Haia tornou pública a sua decisão relativamente à queixa apresentada pelos argentinos sobre o processo de construção de duas fábricas de celulose, decisão essa que suporta a posição uruguaia, defendendo que até ao momento não existem motivos para acreditar que a construção terá um impacto catastrófico no meio ambiente.

Dos 15 Juízes, apenas o argentino (??!!) votou favoravelmente a pretensão do seu país de parar a construção das fábricas... revelador.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros uruguaio, Reinaldo Gargano, já comentou a decisão do Tribunal de Haia, apelando ao encontro de ideias entre os dois paises, numa óptica de consenso e abertura que estou certo não vai ter eco do outro lado do rio.

Terei talvez oportunidade de desenvolver o assunto mais tarde, mas parece-me que o Uruguai teria muito mais a ganhar se virasse a sua atenção para o Rio Grande do Sul, procurando distanciar-se da Argentina e da sua politica marcadamente "nacionalista" e "colonialista", que pouco interessa ao desenvolvimento charrua.

quarta-feira, julho 12, 2006

Tall Ships' Races 2006

Idealizadas em parte pelo antigo embaixador português no Reino Unido, Pedro Theotónio Pereira, a regata dos Grandes Veleiros é um evento anual náutico de sucesso e que comemora este ano o 50º aniversário.

Honrando as suas origens, em 2006 a regata cumpre o seu trajecto inicial, com a concentração dos veleiros em Saint Malo, partida da 1ª regata em Torbay e chegada a Lisboa.

A chegada dos primeiros veleiros dar-se-á a partir de 17 de Julho, sendo que de 20 a 23 existirá um programa oficial, que culminará com um desfile naval no rio Tejo, onde participarão as cerca de 100 embarcações em competição.

O Navio Escola Capitán Miranda, da Marinha Uruguaia, será um dos participantes e ficará fundeado, embora sujeito a confirmação, na Doca de Alcântara.

Tenho a certeza que será um momento de grande espectacularidade e mais uma vez uma oportunidade de matar saudades do Uruguai e das suas gentes.

Naturalmente os interessados poderão visitar as embarcações, coisa que tenciono fazer, sobretudo tendo como alvo os veleiros Américo Vespucci (italiano), Dar Mlodziezy (polaco) e Mir (russo), além da Sagres e do Creoula, que também participam nas regatas.